17 outubro 2017

12 MESES DEPOIS DE VOCÊ - SEGUNDO MÊS

SEGUNDO MÊS


Já reparam como a água quente do chuveiro abraça a gente? Eu me sinto completamente envolvida, acolhida.
Eu pensei em processá-lo, não porque eu queira dinheiro ou coisa assim, eu não quero nada do que não seja meu, pensei em processá-lo só para vê-lo mal e doar todo dinheiro que conseguisse para uma instituição de caridade, orfanato, asilo, algo assim. Também pensei que eu poderia dar o dinheiro para o estudo dos meus sobrinhos, assim eu o atingiria onde ele mais odeia, no bolso, quantas e quantas discussões a gente não teve porque ele achava que eu não valorizava o dinheiro do jeito que tinha que ser, mas fazer o que, eu posso viver sem TV a cabo e restaurantes todos os dias, eu preciso mesmo é do meu coração quentinho e amado e arte de retribuir o amor eu sei bem, ou sabia talvez, é tanta coisa que era presente virando passado de forma tão rápida que fico confusa.
Eu só não fiz isso por preguiça mesmo, foi o único fato de não processá-lo, ele teve muito medo porque é uma causa que eu ganharia até com o pior advogado do mundo, mas ai, tribunal, audiências, ter que vê-lo, não, não compensa.
Me lembro da última e única vez que precisei ir a um local desses, foi como vítima de um assalto e eu precisava reconhecer os três adolescentes delinquentes que colocaram uma faca  no meu pescoço, me derrubaram no chão e roubaram todas as minhas coisas, mas sabe de uma coisa? Eu posso perdoar eles, eu não posso perdoar meu ex, o mal que os três marginais me causaram foi muito mais fácil de superar e esquecer, o estrago que meu ex causou foi muito maior, além de ter me roubado mais de oito anos que eu poderia ter conhecido outras pessoas, frequentado lugares e sabe-se lá mais o que poderia ter me acontecido se eu não tivesse perdido tanto tempo com ele.
Outro fato que me trás raiva é saber que quando ele inventou a moda de termos nosso próprio negócio ele investiu o dinheiro, mas fui eu que pedi demissão do meu emprego, abri mão de fazer algo que eu gostava e na minha área de estudo mesmo estando apenas no terceiro ano da faculdade e com chances de crescimento, fui eu que trabalhei de graça no negócio dele, ele sabia que eu não queria ser empresária, a família dele poderia ter nascido para isso, mas eu não, por isso eu não me culpo em nada por não ter dado certo, me lembro que não coloquei na minha lista de metas daquele ano e ele brigou comigo mesmo sendo o primeiro dia do ano e para provar que eu queria acelerei as coisas e então fiz toda aquela merda de demissão e vou viver só para você meu senhor, ele pode ter perdido algum dinheiro, mas eu perdi muito tempo, tempo que eu poderia estar usando para fazer outras coisas que EU realmente quisesse e não para agradá-lo, se teve uma coisa que ele me roubou nessa vida foi tempo e isso não da pra recuperar.

O porta retrato branco escrito LOVE em cima da cômoda cabem duas fotos, mas agora está vazio e ele fica me encarando, por dias fiquei pensando no que colocar no lugar até decidir que iria deixar vazio, como meu coração, agora ele pode me encarar que eu nem me incomodo mais.

Tem algo interessante, cômico se não fosse trágico, estou na frente de uma balada com duas amigas decidindo se entramos ou não. A mesma balada que aos dezessete anos comemorei um mês de namoro, hoje, aos vinte e cinco comemoro o primeiro mês solteira: receio, medo, mas... com o perdão da palavra: modo foda-se onn.
Eu já sei que ele tem alguém, alguém que foi o verdadeiro motivo da separação, alguém que eu conheço, eu já desconfiava, meu sexto sentido sempre funcionou de maneira assustadora, desde o primeiro momento em que olhei pros olhos falsos daquela garota eu sabia que ela não prestava, as baladas que frequentamos juntas, os churrascos, piscinas, as caronas, eu nunca fui com a cara dela, o que eu não imaginaria era que dessa vez a escolha seria ela e não eu, isso já aconteceu antes poxa vida, mas era sempre eu... eu e eu, eu era o centro do seu mundo e ele o centro do meu, mas essa garota era persuasiva e ele se deixou persuadir. Não sei quem é pior, sei que chegou um momento que quando saímos em casal e apenas ela sozinha, me parecia que quem estava sobrando era eu. Todos já haviam notado também e vai saber quais eram os comentários pelas minhas costas, na verdade hoje faço ideia, a destruidora de lares estava em ação. Gostei da forma que ela foi chamada.
Me sinto uma idiota quando me lembro que quando iríamos sair com a turma eu fazia questão de mandar convites no privado e não no “grupo da galera” e não escondia de ninguém que era por causa dela, vai saber se não faziam o mesmo comigo, de qualquer forma, não precisam mais se preocupar com isso, eu estou fora do jogo, meio injusto porque eu era a única que não sabia que estava jogando e se soubesse teria saído de campo muito antes, alguém que permita ser disputado não merece que eu disputa.

Ele ficou com ela antes ou depois do término? Uma tequila.

Aquele dia saíram para buscar cerveja e esqueceram as garrafas? Duas tequilas.

Deu carona para ela e a levou por último? Três tequilas.

Amiga parceira só se for amiga solteira. Quatro tequilas.

Agora eu tô solteira e ninguém vai me segurar. Cinco tequilas.

Perdi a conta, tenho uma vaga lembrança da noite: copos, músicas, dança, o ferrinho do camarote para apoiar, sensualizar? Amigos novos? MEU DEUS.
Foi libertador, a chave que eu precisava. Ninguém mandando no meu dinheiro? Vestidos, shorts, blusas, sapatos... muitos sapatos...
A música parecia tocar dentro de mim e a batida balançava meu corpo, eu sempre amei dançar, mas assim? Caramba.
Uma fatura do cartão de crédito irreconhecível, de restaurantes e presentes para baladas, bebidas e roupas, talvez não seja tão ruim assim.
Festas, festas e festas... muita gente nova, falação, badalação, dormir pouco, beber muito, tequileiros bonitos, de sexta a domingo é proibido ficar em casa, segunda é uma tortura porque não tem balada. Gente interessante ZERO.
Ouvi alguns comentários e sabe o que eu queria responder se eu tivesse oportunidade? Pensem comigo, consigo me imaginar bem na frente dela, gesticulando e usando daquele meu olhar que eu não sei por que as pessoas dizem que da medo:

- Imaginemos que as personagens dessa história não sou eu e nem você. Hipoteticamente na nossa frente existem duas mulheres, consegue imaginar? Uma de mini saia e decote abusado, solteira, bebe, sai pra balada, curte a noite e as vezes conhece uns caras, todos solteiros.
A outra, uma moça recatada, calça comportada, não bebe demais e nem sai muito, mas consegue conviver com o fato que estragou um relacionamento de anos, e não me venha falar de relacionamento falido, porque não estava não, não até você... quer dizer, ela chegar e investir.

Claro que o rapaz tem sua porcentagem de culpa, mas neste momento estamos falando das moças, qual é de menor índole: a solteira se divertindo ou a que não se importa em sair com caras comprometidos sabendo que ele é comprometido?




16 outubro 2017

MEUS 15 ANOS

Eu juro que fui pronta pra assistir um filme ruim, por isso que não havia assistido até hoje, tirei sarro quando estava no cinema e meu dedo nunca nem coçou pra clicar nele na Netflix, sempre que alguém comentava sobre esse filme minha reação era:
- Aff....
Mas não sei porque, depois percebi que era só pré-conceito, eu nem sabia sobre o que o filme falava, eu sinceramente achava que era a vida da Larissa Manoela, de quem não sou fã, pelo simples fato que o público alvo dela, não sou eu. 
Daí.... eu descobri que o filme é até bonitinho. 
Perfeito para agradar a moçadinha adolescente, é o típico filme bobinho, mas legal, o tipo de livro que gosto, então porque não em filmes, né? considerando que eu decidi ter 15 anos para sempre haha deve ser por isso que eu até tive uma experiência boa. 

A Larissa vive a Bia, uma garota sem muitos amigos, aquele tipo de garota que se acha transparente e nunca é notada, até ganhar um prêmio que iria mudar a sua vida, não pelo simples fato de se tornar popular, mas pelo fato que ela passa por situações dolorosas que a faz crescer, infelizmente a vida é assim meu povo, a gente só aprende depois de ser exposto a situações desagradáveis, o sofrimento é o último degrau para o autoconhecimento.  

Fora que é uma delícia as memórias que esse filme me causa, como é bom lembrar dos meus 15 anos (os de verdade haha), recordar os momentos, a escola, as pequenas avenuras que pareciam ser enormes haha, meu grupo de teatro, a minha própria festa... aaah que saudades, pena que não foi nessa época que eu aprendi, eu me ralei muito ainda depois disso, sorte da Bia (Larissa) que foi capaz de entender tão cedo. 


30 setembro 2017

12 MESES DEPOIS DE VOCÊ - PRIMEIRO MÊS

PRIMEIRO MÊS:

Quanto tempo dura o pra sempre? Oito anos, cinco meses e oito dias.

Qual a melhor definição para SO-FRI-MEN-TO? Assim mesmo, soletrado e maiúscula. É como perder a visão, ou como perder os cinco sentidos ao mesmo tempo, é como as pernas virarem gelatina, é como alguém cravar um punhal na altura do coração, só que pelas costas e de hora em hora voltar para verificar se está bem enfincado, é como te esquartejar bem devagar, em pedacinhos lentos e pequenininhos começando pelo dedo mindinho, é como morrer.
Os olhos parecem estar vazando o tempo todo, até mesmo quando quero rir as lágrimas escorrem, até quando o assunto da roda é engraçado, até quando simplesmente preciso perguntar para meu cliente se é dinheiro ou cartão, meus olhos estão sempre muito molhados e vazando.
É pior do que quando alguém que você ama morre, porque a pessoa está saudável, bem e escolheu partir por escolha própria, ele me abandonou. Não levou em consideração toda a nossa vida juntos, tudo que alegremente abri mão pra ficar com ele, os lugares que queria ir e não fui e os lugares que não queria ir, mas fui.
No começo eu não queria um namoro, eu me recordo bem, eu me achava muito nova para namorar e por esses dias isso passa muito pela minha cabeça, porque eu cedi? Ou porque não terminamos na nossa primeira briga? Aquela com menos de um mês ele virou o bicho comigo porque saí com minhas amigas enquanto ele viajava.
Tem pessoas que fazem parte da sua vida apenas para fazer parte das duas extremidades de muito amor ou muito ódio, ele me ensinou os mais belos sentimentos e os mais horríveis também, talvez a missão dele no mundo fosse me testar, bom, então acho que já acabou porque não penso mais que possa existir algum outro tipo de sentimento, eu já sou o experimento completo e me tornei um pilar de concreto que esconde flores murchas no seu interior.
A sensação é que o chão sumiu, não tenho mais uma rotina, até mesmo as pequenas coisas como as costumeiras horas de conversar no WhatsApp, os bom dias e os boa noites, ligar correndo para contar cada novidade, pedir autorização para comprar coisas e ir a lugares.... opa, não preciso fazer mais isso?
Ainda bem que é Dezembro, tem muito trabalho, comércio em horário especial e muitos clientes, um domingo trabalhado e íííí.... um dia de folga! Vamos lá, coisas típicas: academia, hidratar o cabelo, passear com a bebê Dálmata.... respira fundo.
As pessoas são solidárias, mensagens de todo o tipo aquecem meu coração, pessoas próximas e distantes, palavras carinhosas, conselhos, histórias de vida... o mundo não está tão perdido assim, basta saber diferenciar quem realmente está preocupado comigo e quem está apenas curioso com o acontecimento do século, e isso também não é fácil.
Saio para dar uma volta de moto por aí, pego o celular na mão, mas me lembro que posso ir sem avisar ninguém e não importa onde eu vá parar ou quem eu encontre, não vou ter problemas depois. Sinto o vento no meu rosto, nas mãos, no corpo todo e o vento cortante das dez da noite é aconchegante, trás paz, as avenidas começam e terminam em minha volta, os barzinhos estão cheios, as pessoas comemoram e eu só piloto sem destino, devagar, depressa, devagar de novo, é uma noite bonita.
DOR! Dói, dói, dói.... mas eu já sei a solução, só não posso ficar sozinha e preciso tomar cuidado com as músicas que escuto, eu converso com as músicas, é meio doido, sabe? Mas as músicas me tocam de um jeito especial, me alegram e me entristecem rapidamente, sempre fui do tipo de menina que tem trilha sonora, só que agora as minhas músicas mudaram, agora já não são mais as românticas com finais felizes que me identifico.
Dormir.... aaaah, daí já é demais, deitar na cama e encarar o telhado, sentir a imensidão branca sem sentindo dentro da minha mente, pensar em coisas desconexas e não compreender mais o sentindo do mundo, talvez o mundo nem seja mais mundo.
Tem dias bons e dias ruins, muitos dias difíceis e pouquíssimos dias fáceis, pareço um furacão de sentimentos, um tornado que vai e vem, estou bem e depois não estou mais, chega uma hora que eu acho que passou, acabou, e segundos depois vem tudo a tona novamente.
Eu pensei que a academia seria uma boa fuga, mas me enganei, é tão clichê e nada que é clichê combina comigo, eu sou muito intensa, do time do oito ou oitenta não me contento com meio termo nunca, o morno é tão sem graça, ou tem que queimar ou refrescar. No final das contas ficar pedalando num canto isolado me da muita agonia, me sinto desesperada.
Sabe quando parece que o ar falta? Você tem que erguer a cabeça e respirar fundo para lembrar de respirar? Parece que até isso ocupa muito a minha atenção.
Já me livrei das monstruosas coisas dele que estavam na minha casa, deu um saco bem grande que mandei entregar e mesmo assim às vezes acho uma coisa ou outra que vão diretamente ao lixo, ele custou a mandar as minhas coisas.

Eu não tenho mais voz e preciso me prender a alguma rotina, por enquanto, trabalhar de domingo a domingo até de noite vai ter que servir.


02 setembro 2017

12 MESES DEPOIS DE VOCÊ - INTRODUÇÃO

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É difícil recordar todo aquele sentimento ruim, nem mais consigo imaginar que fui capaz de sentir tudo aquilo, mas me senti na obrigação de dividir, na época eu não era capaz, eu estava anestesiada, travada, paralisada. Porém, preciso contar como foi para poder mostrar como superei, e se eu consegui todo mundo consegue. Eu devo isso à pessoa que me tornei, ou que estou me tornando, já que me sinto diferente a cada dia.
É muito doido sentar na cama e ficar prestando atenção na porção de sentimentos estranhos que passam na minha corrente sanguínea e me sentir feliz por estar feliz? Porque ultimamente faço isso, estou distraída e de repente estou parada prestando atenção no que estou sentindo e fico embasbacada por estar tão em paz quando num passado não muito distante eu achava que iria morrer.


- Vem cá, me deixa enxugar suas lágrimas.
Foram as últimas palavras que eu ouvi. Foram 8 anos 5 meses e 8 dias de história, sabe aquela coisa de contos de fadas? Eu me sentia mesmo uma princesa, eu não terminava nem de pensar que queria algo e já estava na minha mão, abrir portas de carro e arrastar a cadeira para eu me sentar não era nada perto do seu romantismo de flores e jantares, corações e surpresas fora de hora e muita gentileza.
Eu me achava a garota mais sortuda do universo por viver nesse mundo tão banal e ter encontrado o “amor da minha vida” aos 17 anos, eu olhava para o lado e via todos aqueles moleques cheios de bebidas, cigarros e nenhum papo e soltava fogos de artifícios por não ter que encontrar alguém nesse mundo perdido porque eu já tinha meu príncipe encantado.
Mas, a vida é uma caixinha de surpresas que surpreende a gente mesmo, quando ouvi aquelas últimas palavras eu levantei, bati a porta do carro e saí correndo, eu só sabia chorar. Como ele pode ser capaz de colocar fim na nossa história?
É... problemas no paraíso. Eu queria correr, correr e correr até achar um caminho perdido que me pertencesse, mas eu sabia das minhas responsabilidades, o homem da minha vida foi tão moleque que passou a noite inteira comigo, cantou no meu ouvido, tomamos café da manhã olhando as fotos da casa que havíamos escolhido para ser nosso lar, mas cinco minutos antes de eu entrar para o trabalho ele resolve mudar de ideia e decide que “Estamos muito distantes, você é tão inteligente, merece ganhar o mundo, mas só corre atrás de mim”. IDIOTA!!!
Tem horas que é um saco ser muito responsável, mas eu não consegui ser a Mulher do Projota, que como conta a música “Ela nem ligou pro patrão, deixou o velho na mão e foi pra rua espairecer”, bem que eu queria, mas lá fui eu com meu uniforme engraçado abrir as portas da loja para que todas as meninas do uniforme engraçado pudessem trabalhar.
Abri a porta calada, todas já sabiam que tinha algo de errado, porém o silêncio predominou, todas subiram e eu não tive forças, corri para a lavanderia e chorei.... chorei.... chorei.... meus soluços chamaram a atenção, eu nem percebia os meus gritos, soube apenas depois que eu gritava muito. Elas me perguntavam, mas eu não conseguia, o meu mundo havia acabado, eu estava sem chão, eu não tinha mais o controle de nada, todos os meus sonhos estavam desmanchando como nuvens.
Sempre que eu abria a boca para tentar falar algo o que saia eram gritos, meu coração doía tanto que parecia que junto aos gritos fragmentos dele eram despejados pelo ar.
Quando finalmente consegui dizer o silêncio reinou novamente, como assim? O casalzinho vinte não estava mais junto, e toda aquela perfeição exibida gratuitamente? E todas aquelas declarações? Bem... da minha parte eram verdadeiras.
Eu só podia fazer uma coisa, eu nem imaginava como iria contar aquilo para minha família, mas meus dedos discaram o número da minha irmã, que chorou com a notícia, mas me deu sábias palavras, como ela sempre sabe fazer.
Passavam flashes na minha cabeça, lampejos que talvez houvesse uma vida por trás de tudo isso, de repente eu sabia que seriam dias difíceis, mas que de alguma forma iria passar, mas como dizia um autor famoso que estudei na faculdade “A dor precisa ser sentida”, então é isso “Amanhã será um novo dia, mas hoje vou me permitir chorar”, foi meu primeiro status de solteira no Facebook quando ninguém ainda sabia da notícia que estava por vir. Afinal, serviu para alguma coisa toda aquela história de desconstrução e reconstrução que eu tanto odiava naquelas supervisões.
E aquele cinco de Dezembro foi mesmo um triste dia inesquecível, marcado por lágrimas, cada pessoa nova que aparecia pra me ver eu usava seu ombro para chorar, recebi flores, carinho, atenção... foi tudo muito especial.
No final do dia eu ganhei uma carona da minha irmã mais velha e o meu pequenino sobrinho, com apenas sete anos entrou na loja com uma linda florzinha na mão que ele mesmo colheu, estendeu para mim e disse:
-Já sei, você tá triste porque o tio largou de você. E mais uma vez me rompi em lágrimas, é um saco estar tão sentimental.
A noite eu tinha uma missão, contar para minha hipertensa mãe que aquele moço que frequentou sua casa por todos esses anos, que sentou-se a mesa para almoços e jantares, que ela abriu as portas de casa e dividiu tantos momentos especiais familiares com ele, que aquele rapaz que ontem mesmo entrou aqui, a beijou no rosto e levou sua filhinha para dormir fora de casa, bem... aquela foi a última noite.
Ela estava cozinhando e todos vieram para me ajudar, era segunda-feira e todos vieram para o jantar, só faltava meu pai, que estava em noite de trabalho e só receberia a notícia por telefone ou no outro dia de manhã, pra falar a verdade, agora notei que não sei como ele soube.
A reação da minha mãe foi surpreendente, ela me segurou pelos braços, olhou dentro dos meus olhos e disse: FOI A MELHOR COISA QUE PODERIA TER ACONTECIDO, AQUELE MENINO IA TE FAZER SOFRER COMO VOCÊ NEM IMAGINA.
Eu me arrepiei da cabeça aos pés e ela continuou seu discurso e eu relaxei quando ela terminou dizendo: E ELE NUNCA MAIS VAI VER A FIONA.
Fiona é minha dálmata, minha bebê, minha princesa, ele me deu e minha mãe nunca quis, ela só aceitou na condição em que em menos de um ano íamos nos casar e tirar ela de casa, minha sorte é que ela é tão linda que não tem como não se apaixonar com todo aquele olhinho de piedade e sua forma doída de dar carinho.


CONTINUA... 

01 setembro 2017

A GAROTA QUE VOCÊ DEIXOU PARA TRÁS

Eu devo ter ido com muita sede ao pote, só pode!
Eu queria tanto tanto tanto ler A Garota que Você deixou para Trás, da Jojo Moyes, que quando finalmente chegou a hora, não tinha mais água no pote.

Eu imaginei algo parecido com "Como eu era antes de você", que é um dos meus livros preferidos da vida, mas acabei me decepcinando, e eu detesto me decepcionar com autores que eu tanto prezo.

Eu queria algo com uma menina que ganhou a vida após ser deixada no passado de alguém, mas a Jojo não tem culpa, essa na verdade é a minha história, eu queria ler algo que se parecesse comigo, mas talvez quem devesse escrever essa história sou eu.

Pois bem, superada a parte que na verdade A garota que você deixou para trás é o nome de um quadro, que a história começa em em 1917 em plena guerra mundial onde a Alemanha tomou a França e tudo que é francês foi tratado como escravo e depois a historia pula para os anos 2000 para contar a história de Liv, que ganhou esse quadro do falecido marido e os franceses aparecem para recuperar o quadro que foi roubado pelos alemães na época da guerra, e a partir daí começa uma nova guerra, mas dessa vez nos tribunais, para descobrir quem era o verdadeiro dono... superado isso eu ainda estava infeliz.

Eu poderia ter me enganado com o tema da história para ser surpreendida por outra história fantástica, mas não, a história além de não me despertar curiosidade pela leitura, ainda teve uma escrita bem massante, isso talvez seja o que mais tenha me decepcionado, não tem problema não ser o que eu imaginava, mas é triste que na minha estante ele vai pra fileira dos livros ruins.


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