02 setembro 2017

12 MESES DEPOIS DE VOCÊ - INTRODUÇÃO

A quem possa interessar...


É difícil recordar todo aquele sentimento ruim, nem mais consigo imaginar que fui capaz de sentir tudo aquilo, mas me senti na obrigação de dividir, na época eu não era capaz, eu estava anestesiada, travada, paralisada. Porém, preciso contar como foi para poder mostrar como superei, e se eu consegui todo mundo consegue. Eu devo isso à pessoa que me tornei, ou que estou me tornando, já que me sinto diferente a cada dia.
É muito doido sentar na cama e ficar prestando atenção na porção de sentimentos estranhos que passam na minha corrente sanguínea e me sentir feliz por estar feliz? Porque ultimamente faço isso, estou distraída e de repente estou parada prestando atenção no que estou sentindo e fico embasbacada por estar tão em paz quando num passado não muito distante eu achava que iria morrer.


- Vem cá, me deixa enxugar suas lágrimas.
Foram as últimas palavras que eu ouvi. Foram 8 anos 5 meses e 8 dias de história, sabe aquela coisa de contos de fadas? Eu me sentia mesmo uma princesa, eu não terminava nem de pensar que queria algo e já estava na minha mão, abrir portas de carro e arrastar a cadeira para eu me sentar não era nada perto do seu romantismo de flores e jantares, corações e surpresas fora de hora e muita gentileza.
Eu me achava a garota mais sortuda do universo por viver nesse mundo tão banal e ter encontrado o “amor da minha vida” aos 17 anos, eu olhava para o lado e via todos aqueles moleques cheios de bebidas, cigarros e nenhum papo e soltava fogos de artifícios por não ter que encontrar alguém nesse mundo perdido porque eu já tinha meu príncipe encantado.
Mas, a vida é uma caixinha de surpresas que surpreende a gente mesmo, quando ouvi aquelas últimas palavras eu levantei, bati a porta do carro e saí correndo, eu só sabia chorar. Como ele pode ser capaz de colocar fim na nossa história?
É... problemas no paraíso. Eu queria correr, correr e correr até achar um caminho perdido que me pertencesse, mas eu sabia das minhas responsabilidades, o homem da minha vida foi tão moleque que passou a noite inteira comigo, cantou no meu ouvido, tomamos café da manhã olhando as fotos da casa que havíamos escolhido para ser nosso lar, mas cinco minutos antes de eu entrar para o trabalho ele resolve mudar de ideia e decide que “Estamos muito distantes, você é tão inteligente, merece ganhar o mundo, mas só corre atrás de mim”. IDIOTA!!!
Tem horas que é um saco ser muito responsável, mas eu não consegui ser a Mulher do Projota, que como conta a música “Ela nem ligou pro patrão, deixou o velho na mão e foi pra rua espairecer”, bem que eu queria, mas lá fui eu com meu uniforme engraçado abrir as portas da loja para que todas as meninas do uniforme engraçado pudessem trabalhar.
Abri a porta calada, todas já sabiam que tinha algo de errado, porém o silêncio predominou, todas subiram e eu não tive forças, corri para a lavanderia e chorei.... chorei.... chorei.... meus soluços chamaram a atenção, eu nem percebia os meus gritos, soube apenas depois que eu gritava muito. Elas me perguntavam, mas eu não conseguia, o meu mundo havia acabado, eu estava sem chão, eu não tinha mais o controle de nada, todos os meus sonhos estavam desmanchando como nuvens.
Sempre que eu abria a boca para tentar falar algo o que saia eram gritos, meu coração doía tanto que parecia que junto aos gritos fragmentos dele eram despejados pelo ar.
Quando finalmente consegui dizer o silêncio reinou novamente, como assim? O casalzinho vinte não estava mais junto, e toda aquela perfeição exibida gratuitamente? E todas aquelas declarações? Bem... da minha parte eram verdadeiras.
Eu só podia fazer uma coisa, eu nem imaginava como iria contar aquilo para minha família, mas meus dedos discaram o número da minha irmã, que chorou com a notícia, mas me deu sábias palavras, como ela sempre sabe fazer.
Passavam flashes na minha cabeça, lampejos que talvez houvesse uma vida por trás de tudo isso, de repente eu sabia que seriam dias difíceis, mas que de alguma forma iria passar, mas como dizia um autor famoso que estudei na faculdade “A dor precisa ser sentida”, então é isso “Amanhã será um novo dia, mas hoje vou me permitir chorar”, foi meu primeiro status de solteira no Facebook quando ninguém ainda sabia da notícia que estava por vir. Afinal, serviu para alguma coisa toda aquela história de desconstrução e reconstrução que eu tanto odiava naquelas supervisões.
E aquele cinco de Dezembro foi mesmo um triste dia inesquecível, marcado por lágrimas, cada pessoa nova que aparecia pra me ver eu usava seu ombro para chorar, recebi flores, carinho, atenção... foi tudo muito especial.
No final do dia eu ganhei uma carona da minha irmã mais velha e o meu pequenino sobrinho, com apenas sete anos entrou na loja com uma linda florzinha na mão que ele mesmo colheu, estendeu para mim e disse:
-Já sei, você tá triste porque o tio largou de você. E mais uma vez me rompi em lágrimas, é um saco estar tão sentimental.
A noite eu tinha uma missão, contar para minha hipertensa mãe que aquele moço que frequentou sua casa por todos esses anos, que sentou-se a mesa para almoços e jantares, que ela abriu as portas de casa e dividiu tantos momentos especiais familiares com ele, que aquele rapaz que ontem mesmo entrou aqui, a beijou no rosto e levou sua filhinha para dormir fora de casa, bem... aquela foi a última noite.
Ela estava cozinhando e todos vieram para me ajudar, era segunda-feira e todos vieram para o jantar, só faltava meu pai, que estava em noite de trabalho e só receberia a notícia por telefone ou no outro dia de manhã, pra falar a verdade, agora notei que não sei como ele soube.
A reação da minha mãe foi surpreendente, ela me segurou pelos braços, olhou dentro dos meus olhos e disse: FOI A MELHOR COISA QUE PODERIA TER ACONTECIDO, AQUELE MENINO IA TE FAZER SOFRER COMO VOCÊ NEM IMAGINA.
Eu me arrepiei da cabeça aos pés e ela continuou seu discurso e eu relaxei quando ela terminou dizendo: E ELE NUNCA MAIS VAI VER A FIONA.
Fiona é minha dálmata, minha bebê, minha princesa, ele me deu e minha mãe nunca quis, ela só aceitou na condição em que em menos de um ano íamos nos casar e tirar ela de casa, minha sorte é que ela é tão linda que não tem como não se apaixonar com todo aquele olhinho de piedade e sua forma doída de dar carinho.


CONTINUA... 

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