30 setembro 2017

12 MESES DEPOIS DE VOCÊ - PRIMEIRO MÊS

PRIMEIRO MÊS:

Quanto tempo dura o pra sempre? Oito anos, cinco meses e oito dias.

Qual a melhor definição para SO-FRI-MEN-TO? Assim mesmo, soletrado e maiúscula. É como perder a visão, ou como perder os cinco sentidos ao mesmo tempo, é como as pernas virarem gelatina, é como alguém cravar um punhal na altura do coração, só que pelas costas e de hora em hora voltar para verificar se está bem enfincado, é como te esquartejar bem devagar, em pedacinhos lentos e pequenininhos começando pelo dedo mindinho, é como morrer.
Os olhos parecem estar vazando o tempo todo, até mesmo quando quero rir as lágrimas escorrem, até quando o assunto da roda é engraçado, até quando simplesmente preciso perguntar para meu cliente se é dinheiro ou cartão, meus olhos estão sempre muito molhados e vazando.
É pior do que quando alguém que você ama morre, porque a pessoa está saudável, bem e escolheu partir por escolha própria, ele me abandonou. Não levou em consideração toda a nossa vida juntos, tudo que alegremente abri mão pra ficar com ele, os lugares que queria ir e não fui e os lugares que não queria ir, mas fui.
No começo eu não queria um namoro, eu me recordo bem, eu me achava muito nova para namorar e por esses dias isso passa muito pela minha cabeça, porque eu cedi? Ou porque não terminamos na nossa primeira briga? Aquela com menos de um mês ele virou o bicho comigo porque saí com minhas amigas enquanto ele viajava.
Tem pessoas que fazem parte da sua vida apenas para fazer parte das duas extremidades de muito amor ou muito ódio, ele me ensinou os mais belos sentimentos e os mais horríveis também, talvez a missão dele no mundo fosse me testar, bom, então acho que já acabou porque não penso mais que possa existir algum outro tipo de sentimento, eu já sou o experimento completo e me tornei um pilar de concreto que esconde flores murchas no seu interior.
A sensação é que o chão sumiu, não tenho mais uma rotina, até mesmo as pequenas coisas como as costumeiras horas de conversar no WhatsApp, os bom dias e os boa noites, ligar correndo para contar cada novidade, pedir autorização para comprar coisas e ir a lugares.... opa, não preciso fazer mais isso?
Ainda bem que é Dezembro, tem muito trabalho, comércio em horário especial e muitos clientes, um domingo trabalhado e íííí.... um dia de folga! Vamos lá, coisas típicas: academia, hidratar o cabelo, passear com a bebê Dálmata.... respira fundo.
As pessoas são solidárias, mensagens de todo o tipo aquecem meu coração, pessoas próximas e distantes, palavras carinhosas, conselhos, histórias de vida... o mundo não está tão perdido assim, basta saber diferenciar quem realmente está preocupado comigo e quem está apenas curioso com o acontecimento do século, e isso também não é fácil.
Saio para dar uma volta de moto por aí, pego o celular na mão, mas me lembro que posso ir sem avisar ninguém e não importa onde eu vá parar ou quem eu encontre, não vou ter problemas depois. Sinto o vento no meu rosto, nas mãos, no corpo todo e o vento cortante das dez da noite é aconchegante, trás paz, as avenidas começam e terminam em minha volta, os barzinhos estão cheios, as pessoas comemoram e eu só piloto sem destino, devagar, depressa, devagar de novo, é uma noite bonita.
DOR! Dói, dói, dói.... mas eu já sei a solução, só não posso ficar sozinha e preciso tomar cuidado com as músicas que escuto, eu converso com as músicas, é meio doido, sabe? Mas as músicas me tocam de um jeito especial, me alegram e me entristecem rapidamente, sempre fui do tipo de menina que tem trilha sonora, só que agora as minhas músicas mudaram, agora já não são mais as românticas com finais felizes que me identifico.
Dormir.... aaaah, daí já é demais, deitar na cama e encarar o telhado, sentir a imensidão branca sem sentindo dentro da minha mente, pensar em coisas desconexas e não compreender mais o sentindo do mundo, talvez o mundo nem seja mais mundo.
Tem dias bons e dias ruins, muitos dias difíceis e pouquíssimos dias fáceis, pareço um furacão de sentimentos, um tornado que vai e vem, estou bem e depois não estou mais, chega uma hora que eu acho que passou, acabou, e segundos depois vem tudo a tona novamente.
Eu pensei que a academia seria uma boa fuga, mas me enganei, é tão clichê e nada que é clichê combina comigo, eu sou muito intensa, do time do oito ou oitenta não me contento com meio termo nunca, o morno é tão sem graça, ou tem que queimar ou refrescar. No final das contas ficar pedalando num canto isolado me da muita agonia, me sinto desesperada.
Sabe quando parece que o ar falta? Você tem que erguer a cabeça e respirar fundo para lembrar de respirar? Parece que até isso ocupa muito a minha atenção.
Já me livrei das monstruosas coisas dele que estavam na minha casa, deu um saco bem grande que mandei entregar e mesmo assim às vezes acho uma coisa ou outra que vão diretamente ao lixo, ele custou a mandar as minhas coisas.

Eu não tenho mais voz e preciso me prender a alguma rotina, por enquanto, trabalhar de domingo a domingo até de noite vai ter que servir.


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